sexta-feira, 11 de abril de 2014

Porque Direcionar A Luta Destacando O Cbd Somente, É Um Erro E Precisa Ser Corrigido

Temos, inegavelmente, a maior e melhor exposição nas mídias nacionais, destacando o poder terapêutico da Cannabis, particularmente o CBD, encabeçando o rol de substâncias eficazes em diversos tratamentos. É um avanço importante. 

Porém, o que não fica claro nas narrativas é que o CBD separado dos 84 canabinóides já isolados não surte efeito desejado. A estrutura de tratamento com Cannabis baseia-se, a titulo de exemplo , a um castelo de cartas - onde a retirada de uma substância faz com que a estrutura entre em colapso.

Reparem atentamente no gráfico:  

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O THCv, reduz convulsões, o Delta 9 THC e o Delta 9 THC-A reduzem espasmos musculares....

EXATAMENTE o que busca essa família! http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2014/04/pais-buscam-tratamento-com-derivado-da-maconha-para-filha.html

Dessa forma, tratá-la com CBD isoladamente não será a melhor posologia. 

Assim, sinto a tendência que, pelo que conhecemos da renomada incompetência de nossos legisladores, ouso dizer que buscarão (sob pressão intensa) legalizar SOMENTE para indústrias farmacêuticas, sob a argumentação que só elas teriam capacidade de isolar os componentes da planta. Aí está o erro! A planta em sua totalidade é a cura, não parte dela! 
Dravet , Rett ou CDLK5, epilepsias raras ou"normais" , esclerose múltipla, precisam do ROL COMPLETO de canabinóides.

Há um claro debate entre os cientistas acerca da tradução do termo "Entourage effect" para "Efeito Comitiva", que é o define a interação entre os canabinóides. 
RECOMENDO A LEITURA:  http://www.cnn.com/2014/03/11/health/gupta-marijuana-entourage/index.html


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Ao se conhecer o que cada canabinóide pode oferecer como tratamento, basta que se privilegie a planta com este princípio ativo, ( relação chave-fechadura) mas não eliminar os demais canabinóides da farmacopéia cannábica. 

Prova inconteste dessa interação de canabinóides foi o isolamento do THC pela medicação MARINOL, onde os usuários preferiram utilizar a planta e não a substância isolada para resultados eficazes.. (...) Take the case of Marinol, which is pure, synthetic THC. When the drug became available in the mid-1980s, scientists thought it would have the same effect as the whole cannabis plant. But it soon became clear that most patients preferred using the whole plant to taking Marinol. (...) 

Para finalizar, deixo a matéria entitulada em tradução livre " Porque os pais não devem apoiar a legislação de CBD, isoladamente" 
Original: http://www.ladybud.com/2014/01/27/why-no-parent-should-support-cbd-only-legislation/
Google translator: http://www.google.com/translate?hl=en&ie=UTF8&sl=en&tl=pt&u=http%3A%2F%2Fwww.ladybud.com%2F2014%2F01%2F27%2Fwhy-no-parent-should-support-cbd-only-legislation%2F
Bing Translator: http://www.microsofttranslator.com/bv.aspx?from=&to=pt&a=http://www.ladybud.com/2014/01/27/why-no-parent-should-support-cbd-only-legislation/

Nas últimas semanas, tem havido uma explosão de legislação recentemente proposta de extratos de maconha CBD-ricos, o tipo de maconha medicinal caracterizado como um tratamento para a epilepsia em Sanjay Gupta "WEED -CNN especial, no verão de 2013. Pais lutando pela vida de seus filhos epilépticos estão desesperados por tratamento que funciona, e o poder com que esses pais podem lutar não deve ser subestimada. Alguém poderia imaginar que suas vozes fortes seria um benefício enorme para o movimento de reforma, mas em vez disso o que tem acontecido é a criação de uma grande divisão: CBD-only todo vs planta maconha medicinal. E na comunidade pediátrica defesa cannabis, o debate ficou muito feio. 

Embora os defensores de legislação mais abrangente sobre a maconha medicinal, muitas vezes citam uma "nenhuma criança deixada para trás" política - o que significa que as crianças com câncer, autismo e outras condições que respondem melhor a medicina com níveis mais altos de THC - há uma outra parte do debate que tem sido em grande parte ausente da cobertura da mídia: 

De acordo com os pais que foram efetivamente tratar a epilepsia de seus filhos com cannabis, durante anos, extratos CBD-ricos só são susceptíveis de proporcionar o controle das crises adequada, sem suplementação THC. 


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Renee Petro e filho Branden 

"Inicialmente, quando eu me inclinei sobre CBD eu ouvia falar bem do CBD, e mal do THC, que era o caminho para o tratamento de convulsões", diz Renee Petro, uma defensora da Flórida cujo filho sofre de Branden FOGOS , uma forma de epilepsia pediátrica intratável. "Eu fiz lobby pela legislação única sobre o CBD porque eu pensei que isso iria salvar a vida de Branden. Mas como eu aprendi mais, eu percebi que estava errada." 

Enquanto Petro reconhece a importância de uma legislação mais ampla para ajudar as crianças com doenças como o câncer - "não queremos apenas para ajudar a nós mesmos, queremos ajudar a todos", diz ela - como Petro aprendi mais sobre cannabis, ela também percebeu que seria Branden provavelmente precisará de mais THC do que a lei permitiria a fim de controlar ambas as convulsões e outros sintomas de sua doença. 

Uma das pessoas que ajudaram a Petro aprender sobre a cannabis medicinal foi Rebecca Hamilton-Brown, cujo filho tem síndrome de Dravet Cooper, a mesma forma de epilepsia pediátrica como Charlotte, o homónimo da planta rica em CBD de Charlotte. Hamiton-Brown vem tratando Cooper com cannabis medicinal por dois anos, então ela teve mais experiência com este tratamento que a maioria dos pais na linha Pediátrica Cannabis Terapiagrupo (PCT), ela fundou com um punhado de outros pais no início de 2012. O grupo já cresceu para mais de 3.000 membros, e é um foco virtual no debate sobre CBD vs THC. 

Quando ela aprendeu sobre o tratamento a cannabis medicinal para a epilepsia, diz Hamilton-Brown, "Bebi o Kool-Aid. Foi tudo sobre CBD, que ia ser uma cura, e eu preguei para quem quisesse ouvir "Ela localizado a uma tensão em seu estado natal, Michigan com a maior CBD:. Proporção THC ela poderia encontrar. 

"Em fevereiro de 2012, havia apenas um punhado de nós a fazê-lo", lembra Hamilton-Brown. "Eu comecei a PCT, pois não tínhamos idéia do que estávamos fazendo e nós precisávamos de outros pais para conversar, para perguntar o que você está usando? O que está funcionando? e martelar o nosso caminho através dela."


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O filho de Rebecca Hamilton-Brown Cooper 

Os Hamilton-Brown descobriram foi que não há duas crianças pareciam ter a mesma resposta exata para o tratamento, nem mesmo a mesma criança em épocas diferentes. "Esta não é uma terapia que é como ir a uma farmácia de uma pílula", explica ela. "É algo que você tem que mexer com e como o seu filho está nele por mais tempo, é preciso ajustá-lo, não apenas na dosagem, mas em termos de teor de THC. Há uma série de fatores que criam uma necessidade de mudar o regimento. Se você quer o melhor o controle das crises, não há necessariamente uma dose você sempre pode ficar com. Você precisa ter a mente aberta."

Atualmente, Hamilton-Brown é tratar o filho com tanto um 25:1 e uma cepa de 2:1. "Damos (maior óleo THC) para ele, conforme necessário", explica ela."Qualquer coisa que provoca estresse ou excitação é um (apreensão) gatilho para ele, e THC leva a borda fora e ajuda-o a não ter uma convulsão." Hamilton-Brown diz que fatores como a puberdade, mudanças de medicamentos, doenças menores, e qualquer tipo de excitação em sua casa pode causar estresse, que leva ao aumento da atividade de apreensão; ela complementa Cooper com maior THC durante períodos de estresse. 

Mas, independentemente da ampla evidência de que a adição de THC pode ajudar a controlar as convulsões, muitos pais relutam em considerar qualquer coisa, mas cepas CBD-ricos para seus filhos. "As pessoas em Colorado estão fazendo a mesma coisa (adicionando THC), mas eles estão relutantes em falar sobre isso", diz Hamilton-Brown, que acredita que muitos pais estão com medo de fazer seus filhos "chapado". 

Não é nenhuma novidade, considerando que um dos poderosos argumentos políticos para CBD-somente a legislação é que essas tensões não são psicotrópica, e os pais que assistiram seus filhos sofrem com tratamentos farmacêuticos altamente psicotrópicas estão agarrados à esperança de que o controle das crises pode ser alcançado sem qualquer psicoactividade. É um sistema de crença que Hamilton-Brown diz que é altamente irrealista. 


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Dana Ulrich com a filha Lorelei 

"Eles ouvem CBD e acho que isso é tudo que eles precisam, e não é", diz ela."Sua falta de experiência e falta de conhecimento está sendo usada para moldar a legislação que vai afetar muita gente." 

De fato, se a legislação única do CBD for aprovada, há uma probabilidade de haver um monte de pais desapontados que percebem que a fórmula não está funcionando para o seu filho. E "passos de bebê" A legislação é perigoso, pois ele pode ser muito difícil mudar tais leis uma vez um precedente foi definido. "E se eles se passou ea relação não funciona para o seu filho?" Pede Hamilton-Brown. "Então o que?Eu não quero que eles têm que aprender da maneira mais difícil." 

Renee Petro concorda. "O que eles estão fazendo no Realm of Caring é simplesmente maravilhoso", diz ela. "Eles têm feito muito para ajudar as pessoas. Mas a imagem perfeita não é do jeito que é - não é a realidade de todos. É enganosa." 

"Apesar de A Menina e o Porquinho estar ajudando muitos, não é a única opção lá fora", diz Petro. "Uma coisa especial, não vai funcionar perfeitamente para todos, porque todas essas crianças são diferentes."

Assim, os pais que defendem a legislação única de CBD devem mudar de tom e em vez disso lutar por leis mais amplas de maconha medicinal? Absolutamente, diz Dana Ulrich , um dos pais que conduzem o impulso para a maconha medicinal na Pensilvânia. 

"Claro CBD-única legislação foi discutida entre os pais, porque queria ter certeza de que explorou todas as opções", diz Ulrich. "Nós rapidamente decidiu que a eliminação de THC ou quaisquer outros componentes e não lutando para a terapia de planta inteira deixaria tantas pessoas na Pensilvânia, sem a ajuda de que necessitam e merecem."


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Dana Ulrich no lobby pela planta de maconha medicinal inteira na Pensilvânia 

 A chave, Ulrich acredita, é a educação - ouvir os pais experientes como Hamilton-Brown. "Eu realmente acredito que quando as pessoas tomam o tempo para ser educados sobre a ciência por trás terapia cannabis, eles não têm outra escolha a não ser pular, com entusiasmo, a bordo", diz Ulrich.

Petro, Hamilton-Brown, e Ulrich todos concordam que não só a legislação mais ampla ajudar seus próprios filhos, é importante considerar os outros pacientes que serão afetados. 

 "Nós não queremos fazer o que é certo para apenas uma pequena quantidade de pessoas, porque estamos desesperados", disse Petro. "Eu tenho um amigo cujo filho tem uma doença auto-imune. Ele precisa de THC.Como eu poderia olhar o meu amigo nos olhos e dizer que sinto muito, você está sem sorte, mais importante do meu filho do que o seu filho?" 

Mas uma vez que os legisladores estão no caminho certo para CBD-única legislação, os pais podem mudar as suas mentes? 

"Os políticos não estariam no poder se não fosse por nós, por isso eles devem nos ouvir", diz Petro. "Você não pode ter medo de dizer o que você acredita. Eles vão ouvir." 

"Esses pais tem a idéia de que seus legisladores têm o poder", diz Hamilton-Brown, "Mas nós, como pais, temos o poder." 

"O que aconteceu com a cavar e lutar? Todas as crianças merecem para que possamos lutar por eles para que possam ter esta medicação. " _________________________________________________________________________________ 

Para concluir, reforço que nossa luta pela liberação não deve ser em fracionar a planta, pois é um erro em sua essência. Cabe esclarecimento e divulgação da VERDADE, desde sempre. 

 Nós do GR  temos que, por conhecer a verdade, ensinar as famílias a CULTIVAR ou APOIAR o CULTIVO e espalhar a informação pertinente. 

Exemplo: 

Quais espécies ricas em quais canabinóides? 

Como eu preparo o óleo? 

Como administro a dosagem? 

Como tenho certeza estar no caminho certo do tratamento e como terei certeza da efícacia, baseada em relatos de outros pacientes? 

Como completo a dosagem de CBD, definida em mg/ml para correto diluição e para não ficar "forte demais"?  

O que é "forte demais" para as faixas de idade e doenças? 

Uma "cartilha GR da cannabis medicinal para as famílias" para livre impressão e distribuição nas marchas em TODO BRASIL, vejo um ótimo caminho de divulgação. Além claro, do site, Facebook, Twitter, enfim, onde pudermos disseminar o CORRETO CONHECIMENTO sobre a planta. 

Guardem o termo: Efeito comitiva/Entourage effect. 


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Só ele é eficaz. Estudem, visitem os links, façam sua parte, Aqui , devemos agir como o efeito entourage, JUNTOS SOMOS FORTES! Agradeço o espaço, sigamos! 

Abraço, Siba.

Texto cedido ao blog da FOAP (Forças Organizadas Anti-Proibicionistas) pelo ativista sibanacavistas do fórum Growroom.

domingo, 16 de março de 2014

Momento histórico: ONU recomenda descriminalização do uso de drogas



ONU recomenda descriminalização do uso de drogas

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Taí mais uma notícia fresquinha & maravilhosa que assinala a mudança definitiva no pensamento mundial sobre as drogas. Pela primeira vez na história, a Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu em um documento elaborado para reunião nesta semana em Viena que os objetivos na luta mundial contra as drogas não foram cumpridos até agora e sugere a descriminalização do consumo de entorpecentes.
“A descriminalização do consumo de drogas pode ser uma forma eficaz de ‘descongestionar’ as prisões, redistribuir recursos para atribuí-los ao tratamento e facilitar a reabilitação”, afirma um relatório de 22 páginas do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC).
A entidade não comentou o conteúdo do documento, mas várias fontes diplomáticas especializadas em política de drogas concordaram que é a primeira vez que o organismo menciona a descriminalização de forma aberta.
A descriminalização do consumo pessoal, já aplicado em alguns casos no Brasil e vários países europeus, supõe que o uso de drogas seja passível de sanções alternativas ao encarceramento, como multas ou tratamentos.
No caso específico do Uruguai, foi legalizada a compra e venda e o cultivo de maconha, e estabelecida a criação de um ente estatal regulador da droga.
Em qualquer caso, a descriminalização não representa uma legalização nem o acesso liberado à droga, que segundo os tratados só pode ser usada para fins médicos e científicos, mas não recreativos.
Portanto, o consumo seguiria sendo sancionável (com multas ou tratamentos obrigatórios), mas deixaria de ser um delito penal.
A UNODC assegura no relatório que “os tratados encorajam o recurso a alternativas à prisão” e ressalta que se deve considerar os consumidores de entorpecentes como “pacientes em tratamento” e não como “delinquentes”.
Comissão de Entorpecentes da ONU
Na próxima quinta-feira em Viena, a comunidade internacional avaliará na Comissão de Entorpecentes da ONU a situação do problema das drogas e se foram cumpridos os objetivos pactuados em 2009 em um roteiro para uma década, quando em 2014 já se percorreu a metade do caminho.
Em 2009, os Estados da Comissão adotaram uma Declaração Política que previa que se “elimine ou reduza consideravelmente” a oferta e a demanda de drogas até o ano 2019, um ambicioso objetivo que por enquanto está longe de ser cumprido.
Para o debate deste ano, a UNODC elaborou este relatório, assinado por seu diretor executivo, o russo Yury Fedotov, no qual avalia a situação atual da luta contra as drogas.
O relatório aponta progressos “desiguais”, mas reconhece que “a magnitude geral da demanda de drogas não mudou substancialmente em nível mundial”, o que contrasta com os objetivos fixados em 2009.
Apesar de a UNODC ressaltar que o mercado da cocaína e o da canábis se reduziram, reconhece que o aumento dos estimulantes sintéticos, mais difíceis de detectar, e a recente aparição de centenas de novos entorpecentes de última geração enfraquecem esses avanços.
A prevalência mundial do consumo de drogas continua assim “estável” em torno de 5% da população adulta, e as mortes anuais causadas por seu consumo se situam em 210 mil pessoas.
A UNODC admite as dificuldades para precisar as tendências globais das drogas pela carência de dados fidedignos sobre o narcotráfico, o dinheiro lavado dos entorpecentes e a fabricação de substâncias sintéticas, entre outros aspectos.
A queda do consumo de drogas nos países ricos se viu compensada com um aumento nos países em desenvolvimento, que não estão tão preparados nem têm recursos suficientes, lamenta a UNODC.
Também se indica que “o tráfico de drogas desencadeou uma onda de violência” na América Latina e que em “alguns países da América Central se registraram os índices de homicídio mais elevados do mundo, frequentemente com números de mortos superiores aos de alguns países afetados por conflitos armados”.
Em seguida, se destaca que alguns líderes latino-americanos chamaram atenção para os enormes recursos que movimentam os narcotraficantes e solicitaram, segundo a UNODC, que “se examinem os enfoques atuais do problema mundial da droga”.
O relatório assinala que “é importante reafirmar o espírito original dos tratados, que se centra na saúde. O propósito dos tratados não é travar uma ‘guerra contra as drogas’, mas proteger a ‘saúde física e moral da humanidade’”.
O documento insiste que a legislação internacional sobre drogas é flexível o bastante para aplicar outras políticas, mais centradas na saúde pública e menos na repressão.
No entanto, a UNODC adverte que menosprezar as leis internacionais contra as drogas piorará a situação, já que “um acesso não controlado às drogas” ajuda “o risco de um aumento considerável do consumo nocivo de entorpecentes”.
Além disso, salienta a importância da prevenção e do tratamento, e ressalta que os direitos humanos devem ser respeitados sempre na hora de combater as drogas e critica a aplicação da pena de morte por delitos de tráfico ou consumo de entorpecentes.
*Fonte: Luis Lidón, da EFE


Original em: http://maryjuana.com.br/2014/03/11/onu-recomenda-descriminalizacao-do-uso-de-drogas/

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Maconha Medicinal: o que a Pesquisa diz?

Em 1999, o Instituto de Medicina (IOM), da Academia Nacional de Ciências (NAS), com financiamento do Congresso, fez a mais extensa revisão de literatura médica sobre a maconha até aquele momento e concluiu que "os dados compilados indicam um potencial valor terapêutico para drogas canabinóides, particularmente para sintomas tais como o alívio da dor, controle de náuseas e vômitos, e estimulação do apetite”. Eles também concluíram que houve "consenso substancial entre os especialistas nas disciplinas relevantes na evidência científica sobre potenciais usos medicinais da maconha".1

Desde aquele tempo, vários outros estudos sobre os benefícios terapêuticos e paliativos da maconha medicinal, bem como alguns dos riscos associados à sua utilização, têm surgido. Abaixo estão algumas das principais descobertas e estudos mais recentes sobre a maconha medicinal e seus derivados; este resumo não é, no entanto, um resumo de toda a literatura científica.

Em geral, a pesquisa apoia o relatório do Instituto de Medicina concluindo que a maconha medicinal é segura e eficaz no controle da dor crônica, aliviando náuseas e vômitos associados à quimioterapia, tratando a síndrome de caquexia associada à AIDS, e controlando espasmos musculares devido à esclerose múltipla e epilepsia.2,3



Câncer e Quimioterapia: Estudos sobre maconha e câncer têm focado tanto na capacidade da maconha medicinal de aliviar os sintomas da quimioterapia e o potencial dos canabinóides de reduzir o crescimento de certos tipos de cânceres. Uma revisão de literatura de 2003 concluiu que canabinóides exercem efeitos paliativos em pacientes com câncer ao prevenir náuseas, vômitos e dor e ao estimular o appetite.4 Além de ajudar com os efeitos colaterais do tratamento, vários estudos têm sugerido que os canabinóides podem frear o crescimento e disseminação de muitos tipos de cânceres, incluindo os de pâncreas5, pulmão6, leucemia7, melanoma8, oral9, linfoma10, e outros tipos de câncer.11

Uma proporção significativa de oncologistas apoia a maconha medicinal como uma opção para seus pacientes. Dados levantados de um estudo de amostra aleatória de 1990, antes de qualquer estado ter aprovado o uso medicinal, mostra que 44% dos oncologistas tinham recomendado cannabis para pelo menos alguns de seus pacientes, e um número maior disse que o faria se as leis fossem alteradas. Dos entrevistados que expressaram uma opinião, a maioria (54%) considerou que a cannabis deveria estar disponível por prescrição.12

Esclerose Múltipla: Vários estudos têm demonstrado a eficácia da maconha medicinal e seus derivados na redução da espasticidade e dor em pacientes de esclerose múltipla (EM). Por exemplo, em um estudo randomizado controlado, Rog et al descobriram que o remédio à base de cannabis é eficaz na redução da dor e distúrbios do sono em pacientes com esclerose múltipla com dor neuropática central. Da mesma forma, estudos duplo-cegos randomizados controlados demonstraram melhorias significativas na espasticidade bem como em medidas de deficiência, cognição, humor, sono e fadiga entre pacientes que tomam medicamentos à base de cannabis.14,15 Um estudo de 2004 também descobriu que a cannabis ajudou a aliviar problemas com disfunção urinária em pacientes com esclerose múltipla e melhorou a auto-avaliação do paciente sobre dor, espasticidade e qualidade do sono.16



HIV/AIDS: A maconha medicinal tem sido eficaz no tratamento de ambos sintomas de HIV/AIDS e os efeitos colaterais de alguns dos medicamentos anti-retrovirais usados para tratá-lo. Por exemplo, foi descoberto que a maconha medicinal foi eficaz especialmente no tratamento da dor neuropática, um sintoma comum entre as pessoas que vivem com HIV/AIDS. Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, Ellis et al encontraram que a proporção de indivíduos que atingiram pelo menos algum alívio da dor foi significativamente maior com cannabis (46%) em comparação com placebo (18%). Os autores notaram que a cannabis fumada foi geralmente bem tolerada.17 Ver também Abrams et al.18

A maconha medicinal também parece ajudar com náuseas e perda de peso entre as pessoas que vivem com HIV/AIDS. Em uma pesquisa com usuários de maconha medicinal HIV positivos de 2005, 93 por cento disseram que a droga ajudou a reduzir náusea e outros sintomas, 56 por cento disseram que sua náusea estava "muito melhor", enquanto 37 por cento disseram que era estava um "pouco melhor".19 Em um ensaio clínico duplo-cego de 2007 publicado em JAIDS, Haney et al descobriram que os fumantes de maconha HIV positivos aumentaram a ingestão calórica diária e o peso corporal com poucos efeitos adversos.20

Finalmente, um estudo recente realizado por pesquisadores no Hospital Monte Sinai sugere que a maconha ou seus derivados têm potencial para inibir um tipo de vírus da imunodeficiência humana (HIV) encontrados na fase final da AIDS. Eles descobriram que os receptores da maconha localizados em células do sistema imunológico - chamados receptores de canabinóides CB1 e CB2 - podem influenciar a propagação do virus.21



Dor: Numerosos estudos têm afirmado os efeitos analgésicos da maconha medicinal. Em sua recente revisão de literatura, Kraft concluiu que, embora as evidências não tenham suportado o uso de maconha para dor aguda, "na dor crônica e espasticidade (dolorosa), um número crescente de estudos randomizados controlados, dulpo-cego, com placebo têm mostrado alguma eficácia dos canabinóides".22 Como sugerido acima, a maconha tem sido especialmente eficaz para a dor neuropática, e um corpo crescente de pesquisas indica que é útil para a dor crônica também.23,24,25,26 ESPAÇO Síndrome do intestino irritável e doença de Crohn: Pesquisa recente sugere que a cannabis pode ser útil também para pacientes com síndrome do intestino irritável (SII) ou doença de Crohn. Um estudo de 2012 descobriu que três meses de tratamento com cannabis inalada melhorou as medidas de qualidade de vida, o índice de atividade da doença, e o ganho de peso dos pacientes com SII de longa data.27 Um estudo observacional recente sugere que a cannabis pode ajudar a aliviar a severidade dos sintomas da doença e reduzir a necessidade de outros medicamentos e/ou cirurgia.28

Segurança da Maconha Medicinal: A maconha medicinal é geralmente segura e bem tolerada, porém, como qualquer medicamento, possui alguns riscos. O fumo, de qualquer coisa, pode causar inflamação nos pulmões e deve ser evitado em pacientes com pulmões comprometidos. No entanto, um artigo recente da JAMA baseado em um estudo longitudinal de 20 anos sobre saúde pulmonar sugere que alguns destes riscos podem ter sido exagerados. Os autores concluíram, "maconha pode ter efeitos benéficos no controle da dor, apetite, humor e gestão de outros sintomas crônicos. Nossos resultados sugerem que o uso ocasional de maconha para este ou aquele fim não pode ser associado a conseqüências adversas sobre a função pulmonar".29 Ver também Russo et al.30 Os pacientes também podem evitar muitos dos riscos associados ao fumo usando vaporizados ou formas comestíveis de cannabis.

    

Em comparação com outras medicações, a maconha tem baixa toxicidade e é extremamente segura. Não há nenhum caso conhecido de uma morte por overdose de maconha. Em contraste, uma revisão das mortes do Sistema de Notificação Adversa da FDA entre 1997 (o ano em que o primeiro programa de maconha medicinal começou) e 2005 mostrou 196 mortes por antieméticos (medicamentos para prevenir náuseas e vómitos) e 118 mortes por antiespasmódicos (medicamentos que suprimir espasmos musculares). Analgésicos opiáceos, que são amplamente prescritos, são responsáveis por mais mortes acidentais do que acidentes de trânsito; quase 15.000 pessoas morreram de medicamentos prescritos para a dor só em 2008. Alguns pesquisadores começaram a olhar para a maconha medicinal como um analgésico mais seguro e menos viciante como alternativa para os opióides de prescrição. Por exemplo, em um recente artigo no American Journal os Hospice and Palliative Care, Carter et al clamam pela reclassificação da maconha tanto para melhorar os cuidados paliativos quanto para reduzir a morbidade relacionada com opióides.31 Em uma pesquisa com pacientes de maconha medicinal, Reiman descobriu que 66% tinham usado maconha medicinal como um substituto para outras drogas de prescrição, citando menos efeitos colaterais adversos, melhor gestão dos sintomas, e síndromes de abstinência menos graves.



 Há algumas evidências que sugerem que a maconha pode exacerbar sintomas psicóticos, especialmente entre adultos jovens e/ou com sinais pré-existentes de psicose.33,34,35 A direção causal da relação entre o uso de maconha e esquizofrenia não foi estabelecida, e não houve aumento da prevalência de esquizofrenia nos últimos 50 anos, apesar do aumento das taxas de uso de maconha na população em geral.36

Potencial Aditivo da Maconha Medicinal e seu Papel no Uso de Outras Drogas: Embora o uso da maconha pode se tornar um problema para alguns, o estudo da Academia Nacional de Ciências de 1999 concluiu que: "poucos usuários de maconha tornam-se dependentes dela... e a dependência de maconha parece ser menos grave do que a dependência de outras drogas".37 De acordo com o Instituto Nacional de Abuso de Drogas apenas cerca de 9 por cento dos que experimentam a maconha se tornam dependentes,38 comparados a 32 por cento dos usuários de tabaco e 15 por cento dos usuários de álcool.39 Além disso, não há nenhuma evidência convincente de que a maconha é uma "porta de entrada". O que a teoria de porta de entrada apresenta como uma explicação causal é uma associação estatística entre as drogas comuns e incomuns. A maconha é a droga ilegal mais popular nos Estados Unidos. Portanto, as pessoas que usaram drogas menos populares, como heroína , cocaína e LSD, são suscetíveis de também terem usado maconha.

Alternativas à Maconha Medicinal: Marinol, uma medicação oral que atualmente está disponível sob prescrição médica, não é uma solução viável para muitos pacientes. O Marinol contém 100 por cento de delta-9 THC (contra os 20 por cento de THC encontrados na cannabis natural). A maioria dos pacientes considera que o Marinol é muito sedativo e cria muitos efeitos psicoativos indesejados.40 A pesquisa mostrou também que o Marinol é muitas vezes mal absorvido, e os pacientes queixam-se que a dosagem é difícil de monitorar e controlar.41 Além disso, para pacientes que sofrem de náusea severa e vômitos ou que não conseguem engolir, medicamentos orais muitas vezes não são viáveis. Cannabis fumada ou inalada fornece um sistema eficaz e eficiente para a administração de THC (um dos ingredientes ativos na maconha). Este início rápido de efeitos não só proporciona alívio mais imediato, mas também permite que os pacientes possam titular cuidadosamente a sua dose para aliviar seus sintomas.42



Impacto da Maconha Medicinal no Uso de Drogas em Geral: A pesquisa sugere que o uso global de maconha não aumentaria sob o sistema rigidamente regulado proposto no projeto de lei de Nova York. O relatório da Academia Naciona de Ciências de 1999 constatou que: "Há uma ampla preocupação social de que sancionar o uso medicinal da maconha pode aumentar o seu uso entre a população geral. Neste ponto, não há dados convincentes que justifiquem essa preocupação. Os dados existentes são consistentes com a ideia de que isso não seria um problema se o uso medicinal da maconha fosse regulado tanto quanto outros medicamentos com potencial de abuso... Nenhuma evidência sugere que o uso de opiáceos ou cocaína para fins médicos tem aumentado a percepção de que seu uso ilícito é seguro ou aceitável".43 Desde esse relatório, várias outras análises, incluindo um estudo de 2012 publicado na revista Annals of Epidemiology analisou se aprovar leis de maconha medicinal impacta ou não o uso de maconha na adolescência. Os autores concluíram que as leis da maconha medicinal não tiveram efeitos visíveis sobre o uso da maconha: "Se nossas estimativas sugerem algo, é o de que o relato de uso por adolescentes deve na verdade diminuir após a aprovação de leis de maconha medicinal (p.211)".44

Fonte: http://www.compassionatecareny.org/wp-content/uploads/MMJ-Science.pdf

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Heróico Uruguai merece o Nobel da Paz por legalizar a maconha

por Simon Jenkins no The Guardian

A guerra às drogas é a única guerra que importa. A posição do Uruguai humilha tirana ONU e os EUA. 

'Uruguai legalizará não só o consumo da canabis mas, crucialmente, sua produção e venda.' Ilustração por Satoshi Kambayashi

Eu costumava pensar que as Nações Unidas eram uma inofensiva organização para debates, com empregos livres de impostos para burocratas de outra maneira desempregados. Eu agora percebo que é uma força para o mal. Sua resposta para uma tentativa verdadeiramente significante de combater uma ameaça global - a nova política de drogas Uruguaia - foi declarar que ela "viola a lei internacional".

Ver a maré mudar quanto as drogas é como tentar detectar o movimento de uma geleira. Mas se movendo ela está. O estatudo de quarta-feira foi introduzido pelo presidente uruguaio José Mujica, "para livrar as gerações futuras desta praga". A praga não são as drogas em si mas a "guerra" contra elas, que deixa a juventude do mundo à merce dos traficantes criminosos e de prisões aleatórias. Mujica se declara um legalizador relutante, mas um determinado a "tirar os usuários de perto do negócio clandestino. Nós não defendemos maconha ou nenhum outro vício, mas pior do que qualquer droga é o tráfico."

Uruguai não só legalizará o consumo da maconha mas, crucialmente, sua produção e venda. Usuários devem ser maiores de 18 anos e uruguaios registrados. Enquanto pequenas quantidades podem ser cultivadas privadamente, firmas irão produzir canabis com licença estatal e preços serão fixados para minar o negócio dos traficantes. O país não tem um problema na escala da Colõmbia ou México - somente 10% ods adultos admitem terem usado maconha - e deixa claro que a medida é um experimento.

Essa abordagem mensurada está mais avançada até do que estados dos EUA como Colorado e Washington, que legalizaram consumo recreacional assim como médico da canabis, mas não a produção. Enquanto a lei uruguaia não cobre outras drogas, ao privar os traficantes de estimados 90% do mercado, a esperança é tanto prejudicar o grosso do mercado criminal e diminuir o efeito porta-de-entrada dos traficantes empurrando drogas mais pesadas aos usuários.

A coragem de Mujica não deve ser subestimada. Seu país é pequeno e tradicionalista, e dois terços da população questionada se opõe à medida, apesar desse total ter subido de 3% uma década atrás. Em adição alguns lobbies pró-legalização objecionam sua nacionalização de facto. Uma questão em aberto é se um cartel estatal será tão eficiente quanto um livre-mercado regulado. Mas o chefe do controle das drogas, Julio Calzada, é curto: "Por 50 anos, nós tentamos abordar o problema das drogas somente com uma ferramente - penalização - e isso fracassou. Como resultado, hoje temos mais consumidores, maiores organizações criminais, mais lavagem de dinheiro, tráfico de armas e danos colaterais."

A resposta do Comitê Internacional de Controle de Narcóticos da ONU foi entoar fúteis clichês. A mudança, segundo seu chefe Raymond Yans, iria "ameaçar pessoas jovens e contribuir para um início ainda mais precoce da adicção". Seria também a violação de um "tratado universalmente aceito e internacionalmente endossado". Ainda sim a ONU admite que meio século de tentativas de supressão levou a 162 milhões de usuários de canabis mundialmente, ou um total de 4% da população adulta.

Com 78 anos, Mujica percebe a ironia que muitos dos seus contemporâneos Sul-Americanos condordam com ele, mas somente após deixarem seus gabinetes. Eles incluem os ex-presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, do México, Ernesto Zedillo e da Colômbia, César Gaviria, todos agora pedindo pela descriminalização do mercado das drogas para que eles possam regular um negócio cujos operadores conflitantes estão matando milhares de pessoas todo ano. O valor do mercado das drogas só é eclipsado pelo mercado das armas. Mesmo assim os EUA resiste a descriminalização para que continue a lutar contra a produção de cocaína e ópio na América Latina e no Afeganistão, para evitar confrontar o verdadeiro inimigo: um consumo doméstico que está fora de controle.

Por tudo isso, a futilidade da repressão está levando à leis sendo derrubadas por todo Ocidente. 20 estados dos EUA legalizaram a maconha medicinal. A Califórnia neste ano rejeitou por poucos votos a taxação do consumo (rejeitando uma receita estimada em 1,3 bilhões de dólares anuais) mas pode ainda voltar atrás. O uso das drogas é aceito por grande parte da América Latina (tirando o Brasil infelizmente), e de facto, na Europa. Até na Grã-Bretanha, onde a possessão pode ser punida com 5 anos na prisão, somente 0,2% dos casos processados resultaram em uma sentença. Segundo boatos, os usuários de drogas mais intensivos estão nas cadeias do próprio Estado. A lei efetivamente colapsou em si mesma.

A dificuldade agora é resolver a inconsistência de agentes da lei "fazendo vista grossa" para o consumo enquanto deixam o fornecimento (e logo publicidade) não taxados e sem regulações, nas mãos dos traficantes de drogas. Isso é quase um subsídio estatal para o crime organizado. Esse descaso pode salvar a polícia e os tribunais dos custos da repressão, mas deixa cada grande mercado das drogas aberto para todos tipos de risco massivo, da canabis até drogas mais pesadas.

Acabar com essa inconsistência requer ação dos legisladores. Ainda sim eles continuam presos por uma mistura letal de tabu, tribalismo e medo da mídia. A política de drogas britânica relacionada a todos intoxicantes (do álcool a benzodiazepínicos) é caótica e perigosa. O governo na quinta-feira admitiu sua inabilidade para controlar "drogas designer legais", há novas sendo inventadas toda semana. Correndo atrás de laboratórios de fundo-de-quintal acenando com banições e mandatos de prisão como policiais de Keystone (policiais satíricos de filmes antigos).

A catástrofe de morte e anarquia que a fracassada repressão às drogas trouxe ao México e outros narco-estados faz a obsessiva guerra ao terror do Ociente parecer um pequeno espetáculo secundário. E a estrada para fora dessa escuridão está agora sendo traçada não pelo mundo antigo, e sim pelo novo, cujos heróicos legisladores merecem ser premiados com o Nobel da Paz. São eles quem aceitaram o desafio de combater a única guerra mundial que realmente importa - a guerra contra a guerra às drogas. E é significante que os mais corajosos países são também os menores. Obrigado aos céus pelos pequenos Estados.


Texto indicado por Henrique Carneiro
Traduzido pela FOAP

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"Weed" Documentário sobre a maconha medicinal / Dr. Sanjay Gupta CNN





Download: https://mega.co.nz/#!uZYBWI6Y!BhdPIUP6VufAxZBnDcK3iXikoFIw8wqT6vAZCU_kHEs

Documentário sobre o poder medicinal da cannabis/maconha no tratamento de diversas doenças e males, legendado para português pela comunidade do Growroom e pela FOAP! 


Ajude a divulgar este vídeo, seja por email, twitter, facebook ou outras redes sociais.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

34 Estudos Médicos Confirmando que Maconha Cura o Câncer







Por Bedrocan, Ativista e Auto-Cultivador Cannábico do Coletivo Growroom.net

As reivindicações - às vezes selvagens – diante de estudos que comprovam que a cannabis (ou maconha) cura o câncer são frequentemente descartadas como falácias ou charlatanismo. Afinal, se a cannabis cura o câncer realmente, ela não poderia ser usada na medicina moderna? Não poderiam os médicos prescrever isso aos seus pacientes? Não poderia a cannabis pelo menos ser classificada como um medicamento por parte do governo?

O fato é que há um grande grupo de empresas que fazem uma quantidade ainda maior de dinheiro com a venda e perpetuação de produtos químicos fabricados e indicados para o tratamento do câncer. A vida de vários profissionais bem sucedidos depende dessas empresas e seus medicamentos. Assim a maconha, uma planta que pode ser cultivada em seu quintal, representa uma grande ameaça para a fábrica de "dinheiro químico" que essas pessoas têm em sua posse.


Afora “o mercado” dos internamentos e tratamentos para viciados, fruto da política proibicionista de Guerra as Drogas: começa com extorsões e prisões, e termina com a produção social do vício.

Assim como a exclusão social dos direitos de qualquer minoria (como os homossexuais), a partir de preconceitos, os usuários de maconha são culpabilizados e julgados criminosos por suas preferências pessoais. São obrigados a aguentarem calados e sem representação legal em sua defesa. Ou são tratados como doentes: num artigo futuro falaremos sobre a hipótese da automedicação no uso de drogas e substâncias psicoativas, como forma de contrapor essas visões estigmatizantes, pejorativas e preconceituosas daqueles que usam substâncias.




Atualmente 59.300 prisioneiros acusados ​​ou condenados por violar as leis de maconha estão atrás das grades nos EUA. Destes, 17.000 estão atrás das grades unicamente por posse, não tráfico. Fazer cumprir as leis de maconha lá custa cerca de US$ 10 a 15 bilhões somente em custos diretos, sem mencionar os custos sustentados de encarceramento do indivíduo que não fez nada para prejudicar ninguém. Estima-se que o dinheiro gasto na aplicação de leis inúteis da maconha é o dobro do que se gasta com educação nos EUA.




Há uma campanha ostensiva realizada de forma embusteira, sendo travada pelo complexo industrial médico-químico-farmacêutico para reprimir o uso e cultivo desta planta altamente benéfica. As vítimas: nossos entes queridos, ou talvez nós mesmos.Tudo por conta da ganância e procura por lucros desenfreados.



Com uma pesquisa rápida no youtube você encontrará dezenas de depoimentos e vídeos de pessoas que afirmam ter alcançado a cura do câncer com cannabis, como o documentário Run From the Cure (traduzindo, Correndo da Cura, de Rick Simpson), aonde um homem relata de forma comovente como quase morreu, e seu amor pela cannabis.




Quão válidas são essas afirmações? É a ciência real que dá apoio a essas estórias de cura de câncer? A resposta é sim, elas são, de fato, apoiadas por estudos científicos. Tal como qualquer tratamento com uma taxa de sucesso de 100% é altamente improvável. Esta planta incrível permanece ilegal, fica incapaz de ser estudada em um fórum mais amplo e torna-se uma "farsa" ou um “perigo”.




Abaixo está uma lista de 34 estudos para os céticos por aí. Eles são classificados por tipo de câncer e tratamento (os estudos e pesquisas estão em ingês).

Maconha Cura Câncer no Cérebro

Maconha Cura Câncer de Boca e Garganta

Maconha Cura Câncer de Mama

Maconha Cura Câncer de Pulmão

Maconha Cura Câncer Uterino, Testicular e Pancreático

Maconha Cura Câncer de Próstata

Maconha Cura Câncer Colorretal

Maconha Cura Câncer de Ovário

Maconha Cura Câncer de Sangue

Maconha Cura Câncer de Pele
  
Maconha Cura Câncer de Fígado
Maconha Cura Câncer do Trato Biliar

Maconha Cura Câncer de Bexiga
  
Maconha Cura Câncer em Geral




 Fonte: http://www.realfarmacy.com/34-medical-studies-for-the-skeptic/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Relato sobre a maconha por Carl Sagan

Este relato foi escrito em 1969 pelo cientista e divulgador científico Carl Sagan para publicação no livro "Marijuana Reconsidered" (1971) do Dr. Lester Grinspoon (Harvard Medical School), sob o pseudômino Mr. X.



Tudo começou há cerca de dez anos atrás. Eu tinha chegado a um período consideravelmente mais relaxado na minha vida - um momento no qual eu passei a sentir que havia mais na vida do que a ciência, um momento de despertar da minha consciência social e amabilidade, um tempo no qual que eu estive aberto a novas experiências. Eu tinha amizade com um grupo de pessoas que ocasionalmente fumavam maconha, de forma irregular, mas com evidente prazer. Inicialmente eu não estava disposto a participar, mas a euforia aparente que a cannabis produzia e o fato de que a planta não criava vício fisiológico, eventualmente me persuadiram a tentar. Minhas experiências iniciais foram totalmente decepcionantes; não houve efeito algum, e eu comecei a cogitar uma variedade de hipóteses sobre a cannabis ser um placebo, que funciona pela expectativa e hiperventilação ao invés de química. Após cerca de cinco ou seis tentativas sem sucesso, no entanto, aconteceu. Eu estava deitado de costas na sala de estar de um amigo examinando ociosamente o padrão de sombras no teto expressos por um vaso de plantas (não cannabis!). De repente eu percebi que eu estava examinando uma intricada e detalhada miniatura de um Volkswagen, claramente delineada pelas sombras.
Eu era muito cético a esta percepção, e tentei encontrar inconsistências entre Volkswagen e o que eu via no teto. Mas tudo estava lá, até calotas, placa de licença, cromo, e até mesmo a pequena alça utilizada para a abertura do porta-malas. Quando eu fechei os olhos, fiquei chocado ao descobrir que havia um filme passando no interior das minhas pálpebras. Flash... uma simples cena de um campo com uma casa de fazenda vermelha, um céu azul, nuvens brancas, caminho amarelo sinuoso entre colinas verdes ao horizonte... Flash... a mesma cena, casa laranja, céu marrom, nuvens vermelhas, caminho amarelo, campos violetas . . . Flash . . . Flash . . . Flash. Os flashes vieram a cerca de uma vez por cada batimento cardíaco. Cada flash trouxe a mesma cena simples em vista, mas cada vez com um conjunto diferente de cores...matizes extraordinariamente profundas, e surpreendentemente harmoniosas em sua justaposição. Desde então, tenho fumado ocasionalmente e desfrutado completamente. Ela amplifica sensibilidades tórpidas e produz o que para mim são efeitos ainda mais interessantes, como vou explicar brevemente.

Eu posso lembrar-me de outra breve experiência visual com cannabis, na qual eu vi uma chama de vela e descobri no coração da chama, em pé com indiferença magnífica, o cavalheiro espanhol de chapéu preto e capa que aparece no rótulo da garrafa de vinho Sandeman. Olhar para chamas sob o efeito, a propósito, especialmente através de um daqueles caleidoscópios de prisma que modificam a imagem de todo seu entorno é uma experiência extraordinariamente tocante e bonita.



Eu quero explicar que em nenhum momento eu pensei que estas coisas estavam "realmente" ali. Eu sabia que não havia Volkswagen no teto e não havia homem salamandra Sandeman na chama. Eu não sinto qualquer contradição nestas experiências. Há uma parte de mim fazendo, criando a percepção que na vida cotidiana seria bizarra; e há uma outra parte de mim que é uma espécie de observador. Cerca de metade do prazer vem da parte-observador apreciando a obra da parte-criadora. Eu sorrio, ou às vezes até rio em voz alta das imagens no interior de minhas pálpebras. Neste sentido, suponho que a cannabis seja psicotomimética, mas não sinto nem o pânico ou terror que acompanham algumas psicoses. Possivelmente isso é porque eu sei que é minha própria viagem, e que eu posso "descer" rapidamente em qualquer momento que, se eu quiser.

Enquanto minhas percepções iniciais foram todas visuais, e carentes de imagens de seres humanos, esses dois itens mudaram nos anos seguintes. Hoje um único 'baseado' é o suficiente para me deixar sob o efeito. Eu testo se estou sob o efeito fechando os olhos e esperando pelos flashes. Eles vêm muito antes de outras alterações em minha visão ou outras percepções. Eu penso que este é um problema de ruído de sinal, o nível de ruído visual é muito baixo com os olhos fechados. Um outro interessante aspecto de informação teórica é a prevalência - pelo menos nas minhas imagens em flash - de desenhos animados: apenas os contornos das figuras, caricaturas, e não fotografias. Eu acho que isso é simplesmente uma questão de compressão de informação, seria impossível compreender o conteúdo total de uma imagem a partir do conteúdo de informação de uma fotografia comum, digamos, 108 bits, na fração de segundo que ocupa um flash. E a experiência do flash é projetada, se é que posso usar essa palavra, para apreciação imediata. O artista e o espectador são um. Isso não quer dizer que as imagens não são maravilhosamente detalhadas e complexas. Eu tive recentemente uma imagem em que duas pessoas estavam conversando, e as palavras que eles estavam dizendo formavam e desapareciam em amarelo acima de suas cabeças, em cerca de uma sentença por batimento cardíaco. Desta forma foi possível acompanhar a conversa. Ao mesmo tempo, uma palavra ocasionalmente aparecia em letras vermelhas, entre os amarelos acima de suas cabeças, perfeitamente no contexto da conversa, mas se um lembrava-se destas palavras vermelhas, eles enunciavam um conjunto completamente diferente de declarações penetrantemente críticas para a conversa. O conjunto inteiro da imagem que eu esbocei aqui, eu diria que pelo menos 100 palavras amarelas e algo como 10 palavras vermelhas, ocorreu em algo menos de um minuto.

A experiência com cannabis tem melhorado muito o meu apreço pela arte, um assunto que eu nunca tinha apreciado antes. A compreensão da intenção do artista que eu posso alcançar quando estou sob efeito algumas vezes é mantida quando não estou mais sob o efeito. Esta é uma das muitas fronteiras humanas que a cannabis me ajudou a atravessar. Há também alguns entendimentos profundos relacionadas a arte - não sei se são verdadeiras ou falsas, mas elas foram divertidas de formular. Por exemplo, eu ter passado algum tempo elevado a olhar para o trabalho do surrealista belga Yves Tanguey. Alguns anos mais tarde, eu emergi de um longo mergulho no Caribe e descansei exausto em uma praia formada pela erosão nas proximidades de um recife de coral. Examinando ociosamente os fragmentos arqueados de coral de cor pastel que ia até a praia, vi diante de mim uma grande pintura de Tanguey. Talvez Tanguey tenha visitado aquela praia na sua infância.

Uma melhoria muito semelhante na minha apreciação pela música ocorreu com a cannabis. Pela primeira vez eu fui capaz de ouvir as partes separadas de uma harmonia de três partes e a riqueza do contraponto. Desde então descobri que os músicos profissionais podem facilmente tocar muitas partes separadas simultaneamente em suas cabeças, mas esta foi a primeira vez para mim. Novamente, a experiência de aprendizagem quando sob o efeito teve pelo menos até certo ponto permanecido quando o efeito passa. O prazer da comida é amplificada; sabores e aromas surgem, que por alguma razão nós normalmente parecemos estar muito ocupados para notar. Eu sou capaz de dar a minha atenção para a sensação. Uma batata terá uma textura, um corpo, e sabor como o de outras batatas, mas muito mais. Cannabis também aumenta o prazer do sexo - por um lado dá uma extraordinária sensibilidade, mas também por outro lado adia o orgasmo: em parte por me distrair com a profusão de imagens que passam diante dos meus olhos. A duração do orgasmo parece se alongar muito, porém esta pode ser a experiência comum de expansão do tempo que ocorre ao se fumar cannabis.



Eu não me considero uma pessoa religiosa, no sentido usual, mas há um aspecto religioso em algumas experiências. A sensibilidade em todas as áreas me dão um sentimento de comunhão com o meu entorno, tantos animados quanto inanimados. Às vezes, um tipo de percepção existencial do absurdo toma conta de mim e eu vejo com terríveis certezas as hipocrisias e atitudes minhas e dos meus semelhantes. E em outras vezes, há um sentido diferente do absurdo, uma lúdica e fantástica consciência. Ambos os sentidos do absurdo podem ser comunicados, e algumas das 'viagens' mais gratificantes que tive foram ao compartilhar conversas e percepções e humor. A cannabis nos traz a consciência de que nós gastamos uma vida inteira sendo treinados para ignorar, esquecer e colocar para fora de nossas mentes. A noção de como o mundo realmente é pode ser enlouquecedora; a cannabis me trouxe alguns sentimentos de como é ser louco, e como usamos a palavra "louco" para evitar pensar em coisas que são muito dolorosas para nós. Na União Soviética dissidentes políticos são rotineiramente colocados em manicômios. O mesmo tipo de coisa, um pouco mais sutil, talvez, ocorre aqui: "você ouviu o que Lenny Bruce disse ontem? Ele deve estar louco". Quando na experiência sob cannabis descobri que há alguém dentro daquelas pessoas que chamamos de loucos.

Quando estou sob o efeito, posso penetrar no passado, recordar memórias de infância, amigos, parentes, brinquedos, ruas, cheiros, sons e sabores de uma época que já desapareceu. Eu posso reconstruir atuais ocorrências de episódios de infância entendidos apenas pela metade na época. Muitas, mas não todas minhas viagens com cannabis, têm em algum lugar um simbolismo importante para mim que não vou tentar descrever aqui, uma espécie de mandala em alto relevo na 'viagem'. Associar-se livremente a esta mandala, tanto visualmente quanto como em palavras, produz um leque muito rico de entendimentos profundos.

Existe um mito sobre tais entendimentos/insights: o usuário tem uma ilusão de grande entendimento/insight, mas ele não sobrevive ao escrutínio na manhã seguinte. Estou convencido de que isto é um erro, e que os insights devastadores alcançados quando sob o efeito são percepções reais, o problema principal é colocar essas ideias em uma forma aceitável para nós mesmos quando não estivermos mais sob o efeito no dia seguinte. Algum dos mais difíceis trabalhos que já fiz foi gravar tais ideias em fita ou por escrito. O problema é que dez idéias ou imagens ainda mais interessantes se perdem no esforço de gravar uma. É fácil entender porque alguém pode pensar que é um desperdício de esforço ter todo este trabalho para colocar esses pensamentos no papel, após o efeito, uma espécie de intrusão da Ética Protestante. Mas já que eu vivo quase toda a minha vida sem estar sob o efeito, eu tive esse esforço - com sucesso, eu acho. Aliás, acho que ideias e entendimentos razoavelmente bons podem ser lembrados no dia seguinte, mas somente se algum esforço for feito para gravá-los de outra maneira, quando não estivermos mais sob o efeito. Se eu escrever o insight para dizer a alguém, então eu posso lembrar sem assistência na manhã seguinte, mas se eu apenas digo para mim mesmo que eu tenho que fazer um esforço para lembrar, eu nunca faço.

Acho que a maioria dos insights que eu consegui quando estava sob efeito foram sobre questões sociais, uma área de bolsa de estudos muito diferente daquela pela qual eu sou geralmente reconhecido. Lembro-me de uma ocasião, tomando um banho com a minha mulher ao mesmo tempo elevada, em que eu tive uma ideia sobre a origem e invalidez do racismo em termos de curvas de distribuição gaussiana. Foi um ponto óbvio de uma forma, mas raramente falado. Eu desenhei as curvas em sabão na parede do chuveiro, e fui escrever a ideia. Uma ideia levou a outra, e no final de cerca de uma hora de muito trabalho duro, eu descobri que tinha escrito onze ensaios curtos sobre uma ampla gama de tópicos sociais, políticos, filosóficos e biológico-humanos. Devido a problemas de espaço, não posso entrar em detalhes sobre estes ensaios, mas de todos os sinais externos, tais como reações públicas e comentários de especialistas, eles parecem conter insights válidos. Eu os usei em tratados acadêmicos, palestras públicas e em meus livros.

Mas deixe-me tentar pelo menos dar o sabor de tais insights/entendimentos e os seus acompanhamentos. Uma noite, sob efeito da cannabis, eu estava investigando a minha infância, um pouco de autoanálise, e fazendo o que me pareceu ser um progresso muito bom. Eu, então, parei e pensei o quão extraordinário foi Sigmund Freud, que sem ajuda de drogas, tinha sido capaz de alcançar a sua própria notável autoanálise. Mas então me bateu como um trovão que eu estava errado, que Freud tinha passado a década anterior de sua autoanálise como um experimentador e com um proselitizador para o uso da cocaína, e pareceu-me muito evidente que os genuínos insights psicológicos que Freud trouxe para o mundo foram pelo menos em parte derivados de sua experiência com drogas. Eu não tenho ideia se isso é de fato verdade, ou se os historiadores de Freud concordariam com esta interpretação, ou mesmo se tal ideia foi publicada no passado, mas é uma hipótese interessante e um que passa em primeiro lugar no escrutínio no mundo dos "caretas" ou "quadrados".



Eu posso lembrar-me da noite na qual de repente eu percebi como era ser louco, ou noites nas quais meus sentimentos e percepções foram de natureza religiosa. Eu tinha uma sensação muito precisa de que estes sentimentos e percepções, escritos casualmente, não resistiriam ao escrutínio crítico habitual que é o meu ganha-pão como cientista. Se eu encontro na parte da manhã uma mensagem de mim mesmo da noite anterior, informando-me que há um mundo que nos rodeia que mal percebemos, ou que podemos nos tornar um com o universo, ou mesmo que alguns políticos são homens desesperadamente assustados, eu posso tender para a descrença; mas quando estou sob o efeito, eu sei sobre essa descrença. E então eu tenho uma fita na qual eu argumento para mim mesmo para levar a sério tais comentários. Eu digo "Ouça com atenção, seu filho da puta da manhã! Esta coisa é real!" Tento mostrar que a minha mente está trabalhando com clareza; lembro-me o nome de um conhecido do colégio que eu não havia pensado em trinta anos, eu descrevo a cor, tipografia e formato de um livro em outra sala e estas memórias passam pela crítica do escrutínio da manhã. Estou convencido de que há níveis genuínos e válidos de percepção disponíveis com cannabis (e provavelmente com outras drogas), que são, através dos defeitos da nossa sociedade e do nosso sistema educacional, indisponíveis para nós sem essas drogas. Tal observação se aplica não apenas à autoconsciência e de atividades intelectuais, mas também para as percepções de pessoas reais, uma sensibilidade muito maior para a expressão facial, entonação, e escolha de palavras que às vezes produzem um relacionamento tão próximo, que é como se duas pessoas estivessem lendo cada uma a mente da outra.

A maconha possibilita não músicos saberem um pouco de como é ser um músico, a não-artistas a entender as alegrias da arte. Porém eu não sou nem um artista, nem um músico. E meu próprio trabalho científico? Enquanto eu encontro uma inclinação curiosa de não pensar em minhas preocupações profissionais enquanto sob o efeito - a atração em aventuras intelectuais sempre parecem estar em outra área - eu fiz um esforço curioso para pensar em alguns problemas particularmente difíceis da minha área sob o efeito da maconha. E funciona, até certo ponto. Eu posso atestar, por exemplo, alguns fatos experimentais relevantes que parecem serem mutuamente inconsistentes. Até agora tudo bem. Pelo menos nos trabalhos de memorização. Então ao tentar conceber um meio de reconciliar os fatos discrepantes, eu fui capaz de pensar numa possibilidade muito bizarra, uma que eu tenho certeza, nunca conseguiria ter pensado sem estar sob o efeito. Eu escrevi um artigo que menciona esta ideia em passagem. Eu penso ser algo pouco provável de ser verdade, mas que tem consequências que são testáveis experimentalmente, o que significa que é uma teoria aceitável.

Eu mencionei que na experiência da maconha há uma parte da sua mente que se mantém um observador impassível, que é capaz de diminuir o efeito da planta rapidamente se necessário. Eu fui, em algumas ocasiões, forçado a dirigir em trânsito pesado quando estava sob o efeito. Eu consegui fazê-lo sem dificuldade alguma, apesar de ter tido alguns pensamentos sobre as maravilhosas cores vermelhas-cereja das luzes de trânsito. Eu descobri que após dirigir eu não estava mais sob o efeito de forma alguma. Não haviam flashes dentro de minhas pálpebras. Se você está sob o efeito e seu filho está chamando, você pode responder de forma tão capaz como poderia normalmente. Eu não advogo dirigir quando sob o efeito da maconha, mas eu posso dizer baseado em experiência pessoal que pode certamente ser feito. Minhas "viagens" são sempre refletivas, meditativas, pacíficas, excitantes intelectualmente e sociávels, diferentes da maioria dos efeitos do álcool, e nunca há ressaca com a maconha. Através dos anos eu descobri que quantidades um pouco menores do que utilizava antes podiam produzir o mesmo grau de efeitos, e num cinema eu recentemente descobri que eu podia ficar sob o efeito somente ao inalar a fumaça de cannabis que permeava o cinema.



Há um aspecto auto-regulatório muito bom em relação à cannabis. Cada tragada é uma dose muito pequena, o intervalo de tempo entre a inalação de uma tragada e a sensação do seu efeito é pequeno; e não há desejo por mais após o efeito chegar. Eu acho que a relação R, do tempo de sentir a dose tomada ao tempo necessário para tomar uma dose excessiva é uma quantidade importante. R é muito grande para o LSD (que eu nunca tomei) e razoavelmente curto para cannabis. Pequenos valores de R deveriam ser uma medida da segurança de drogas psicodélicas. Quando a cannabis for legalizada, espero ver esta relação como um dos parâmetros impressos na embalagem. Espero que o tempo não seja muito distante, a ilegalidade da cannabis é ultrajante, um impedimento à plena utilização de uma droga que ajuda a produzir a serenidade e discernimento, sensibilidade e companheirismo tão desesperadamente necessários neste mundo cada vez mais louco e perigoso.

Tradução: F.O.A.P.
Texto original em inglês no site do Dr. Lester Grinspoon: http://marijuana-uses.com/mr-x/